DIÁRIO DE BORDO


ENTREVISTA EDNA LIMA: CAPOEIRA EUA
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Escrito por Capoeira Social Clube   

Entrevista com:  Edna Lima

Esta entrevistada foi para Matices via Internet feita por Nicole Rösner e Ricarda Bruder

Edna Lima é corda vermelha de Capoeira e faixa preta de karatê. Não é de hoje que nós aqui, temos grande admiração pela moça e seu inegável talento para a Arte das Lutas....Por este motivo, resolvemos publicar aqui entrevista tão interessante e manifestar aqui nossa consideração por seu esforço e seu belo trabalho que muitos benefícios  tem trazido para a divulgação da capoeira no mundo. Tomara que a recíproca seja verdadeira....!

Como se desenvolveu o seu trabalho em Nova Iorque?

Assim que cheguei aos Estados Unidos, tive que trabalhar arduamente para conseguir o que tenho hoje: casa, alunos, capacidade de ajudar a minha mãe no Brasil, e um nome que me deixa muito orgulhosa como atleta (karate), capoeirista, professora universitária, e instrutora de fitness (Capoeira Workout The Best kick Butt class in New York City - Melhor aulas de fitness da Cidade de Nova Iorque). Hoje, sou convidada para dar cursos na Europa, Ásia, Norte da América e também no Brasil. As pessoas me convidam pela qualidade de ensinamento que proporciono e por usar todos os aspectos da capoeira quando a pratico e quando a ensino! Também pelo meu conhecimento de biomecânica, de cinesiologia dos movimentos específicos da capoeira, treinamento desportivo, adquirido nos Cursos de graduação em Educação Física e pós-graduação em Ciência Desportiva. Agora, 21 anos depois, tenho que agradecer ao Mestre Camisa, meu mestre da Abada Capoeira, pelos seus ensinamentos técnicos e exemplo de dignidade e honestidade que ele sempre passou! E Mestre Camisa Roxa, com meu mentor, pela sua abilidade, elegância e tranqüilidade no trato de negócios relacionados à capoeira.

Os alunos nos Estados Unidos se distinguem dos do Brasil?

Quando comecei a dar aulas aqui em Nova Iorque (1988a 1990), não havia muitos professores de Capoeira. Depois começou a concorrência e aqueles que se utilizavam da força bruta eram os mais procurados pelos brasileiros que aqui moravam. Os norte-americanos não se preocupam tanto com o machismo. Tenho em minhas aulas um percentual bem equilibrado entre homens e mulheres, diria que 55 por cento homens e 45 por cento mulheres.

Você vê alguma diferença entre a estratégia do jogo de Capoeira de uma mulher e a do homem?

A estratégia é uma coisa bem específica de uma luta, a meu ver! Quem tem essa habilidade e conhecimento se sobressai em todos os aspectos da vida, não só no jogo de capoeira. A diferença física entre o homem e a mulher exige da mulher mais inteligência e destreza. Na verdade, não é a força o aspecto fundamental da capoeira, mas sim á malícia, o molejo, a percepção, a sensibilidade, a criatividade, a flexibilidade, o equilíbrio e a inteligência!

As letras das músicas falam muitas vezes da vida do ponto de vista do homem. Já alguma vez mudou as letras de uma canção para que pudesse ser cantada do ponto de vista da mulher?

As que existem eu não as canto, como também não as memorizo! Eu nunca mudei a letra de música nenhuma. Quando eu não gosto, não canto. Exemplo: “Se essa mulher fosse minha tirava da roda já já, dava uma surra nela que ela gritava chega!” Horrível!!!

Como avaliaria o nível e o desenvolvimento da mulher na Capoeira?

Hoje em dia, com a crescente procura feminina pela capoeira muitas mulheres não vêem a capoeira como uma luta mas sim como uma atividade física. O que faz muita diferença! Na minha época não havia essa diferença. Se o adversário for mais rápido, mais ágil do que você, então você precisa de um jogo mais simples, mais inteligente, principalmente se não temos a mesma habilidade do oponente.

O que lhe satisfaz mais na Capoeira?

Saber que os negros escravos no Brasil que a desenvolveram resistiram às punições corporais que sofreram quando eram pegos lutando capoeira. Eles utilizavam a capoeira como arma de defesa e liberdade. Isso me inspirou e sempre que me vejo em situações de desrespeito, de falta de ética profissional, e de discriminação com relação à mulher, eu me lembro sempre dos escravos que lutaram para conquistar sua liberdade. Fico feliz por ver a capoeira sendo jogada no mundo todo, em quase todos os continentes por crianças, jovens, adultos, mulheres e homens inclusive por portadores de deficiência física. Isso é o que torna este desporte fantástico!

Informações: www.ednalima.com

 
CAPOEIRA NO MUNDO ÁRABE
Escrito por Capoeira Social Clube   

CAPOEIRA CONQUISTA ADEPTOS NO MUNDO ÁRABE

Por Monica Yanakiew I De Rabat para BBC Brasil

 

No Marrocos, já foram formados grupos de capoeiristas em pelo menos quatro cidades. Quando o berimbau começou a tocar, havia 26 pessoas na pequena sala de ginástica em Rabat: a maioria marroquinos, meia dúzia de refugiados do Congo e uma dezena de belgas, franceses, espanhóis e angolanos. Apenas três, incluindo Braz, um dos instrutores, eram brasileiros.

Mas quase toda a aula de capoeira, além dos cantos, foi em português, língua que muitos começam a dominar. Depois da Europa e dos Estados Unidos, a capoeira está ganhando adeptos no mundo árabe.

No Marrocos, onde acaba de ser realizado um encontro internacional, existem grupos em pelo menos quatro cidades: Casablanca, Essaouira, Salé e na capital, Rabat. Mas a arte marcial brasileira, desenvolvida pelos escravos vindos da África, já fincou seus pés também na Argélia e no Egito.

Integração Para o instrutor Zohir Lakhdar, mais conhecido como Saguim, "a capoeira é um instrumento de integração" num mundo marcado por tensões sociais, culturais e religiosas.

Nascido há 32 anos na Bélgica, de pais marroquinos, ele aprendeu capoeira e português em Bruxelas, com o mineiro Venceslau Augusto de Oliveira - o Braz. Em maio de 2005 resolveu mudar-se para o Marrocos e introduziu a capoeira em Rabat. Seguindo o exemplo de Braz, Saguim incorporou a capoeira a projetos de integração social.

Funcionário do Ministério das Relações Exteriores e de Desenvolvimento do Marrocos, nas horas vagas ele dá aulas de capoeira numa academia, a um grupo de meninos pobres de Rabat, a outro de adolescentes de Salé e a cerca de 20 refugiados do Congo.

Foi ele que organizou o encontro internacional, realizado no início do mês, com a participação de capoeiristas da Bélgica, França, Espanha e Brasil. "Com tanto conflito, desemprego e pobreza, os jovens de hoje precisam de um modelo, para não caírem no fatalismo e no desespero", diz Saguim, que dá suas aulas num português salpicado de francês e árabe.

Segundo o marroquino Driss Jaouzi, de 33 anos, nada mais natural do que ter aula numa língua estrangeira. "É o que acontece no mundo islâmico. Existem muçulmanos de muitas nacionalidades, mas na hora de rezar todos rezam em árabe. Sendo assim, por que não jogar capoeira em português, já que a capoeira é brasileira?" pergunta Jaouzi, o Tijolo.

Projetos sociais Aluno de Braz em Bruxelas, Tijolo é seu braço direito nos projetos sociais que está desenvolvendo, tanto no Brasil e na Bélgica quanto no Congo. Em Bruxelas, eles trabalham com jovens de bairros pobres da periferia – muitos deles filhos de imigrantes marroquinos.

O próprio Braz conta que é "fruto de um projeto social". Ele praticava capoeira desde os seis anos de idade com seus irmãos em Vila Maria – uma favela de Belo Horizonte que virou bairro.

"Na época, havia tanta violência que a favela era conhecida como Poca Olho", lembra Braz. "Mas o Projeto de Integração da Criança pela Arte (Poca) transformou um nome de conotação pejorativa em algo positivo."

Foi graças a um intercâmbio cultural que Braz viajou para a Bélgica, onde formou-se em educação física e acabou se instalando. Mas ele continua promovendo projetos sociais em Minas Gerais e, a partir deste ano, começou a trabalhar no Congo, com "meninos soldados" e orfãos da guerra.

"A capoeira é mais do que uma disciplina esportiva. É um instrumento para estabelecer certos parâmetros e canalizar energia, num mundo de violência."

Nas aulas durante o encontro internacional, Braz explicava que na capoeira "ninguém luta, todos jogam" e que "não existem adversários, apenas parceiros". O mesmo recado foi dado pelo instrutor espanhol David Balarezo, o Bala, que vive em Madrid e desembarcou em Rabat com um grupo de capoeiristas espanhóis e duas educadoras sociais.

Diálogo Mesmo sem a presença de instrutores, grupos de capoeiristas estão brotando em diversas cidades. É o caso da associação Capoeira Mogador, de Essaouira – cidade turística na costa marroquina. Foi formada por jovens que descobriram a capoeira na Internet, graças a sites como You Tube.

Um deles, Redouan, de 27 anos, fabricou um berimbau. "Tinha mil defeitos. A corda estava mal-amarrada, o som estava errado, mas um turista me viu andando na praia com o instrumento e me perguntou se eu era capoeirista", conta Redouan. "Para minha sorte, ele era capoeirista e nos deu algumas aulas."

No Cairo, um grupo de 20 pessoas está treinando sozinho, enquanto espera que alguém responda a um anúncio de "busca-se professor" no site www.capoeira.com.

Segundo o capoeirista belgo-marroquino Jaouzi, o sucesso da capoeira é a sua versatilidade. "A capoeira é um diálogo, aberto a todos. Reúne tradição e muitas formas de expresão: canto, percussão, ginga e acrobacia. Ou seja, é sempre possível encontrar alguma coisa para fazer."

 

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